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Temperatura deve subir até 5ºC no Amazonas em 25 anos, diz estudo
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Com dias mais quentes e secos, pesquisa realizada pela Fiocruz em parceria com o Ministério do Meio Ambiente apresenta um panorama desastroso de mudanças climáticas no estado

Por Síntia Maciel

Manaus (AM) – Nesta quarta-feira (14) Manaus registrou uma temperatura média de 34ºC, conforme os termômetros espalhados pela capital amazonense. O tempo quente é comum neste mês de setembro na cidade, mas a ‘capital do mormaço’ deve se acostumar a temperaturas mais próximas dos 40ºC em 25 anos, de acordo com a pesquisa “Vulnerabilidade à Mudança do Clima”, cujos resultados foram divulgados nesta quarta-feira.

Organizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Minas Gerais em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o estudo vem sendo elaborado desde 2014 e, além do Amazonas, também avalia as mudanças do clima no Maranhão, Paraná, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Espírito Santo.

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Programa Terra Legal aumenta pressão sobre área indígena não demarcada
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Por Daniel Santini*

Programa Terra Legal promove ocupação de território do povo Jaminawá no Amazonas. Imagens de satélite indicam que invasões são acompanhadas de aumento do desmatamento

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Moradores da aldeia Kaiapuká reclamam de desmatamento, abertura de pastos para gado, caça e pesca predatória . Foto: Rosenilda Nunes Padilha

O Programa Terra Legal, iniciativa de regularização fundiária do governo federal, promoveu a invasão de terras indígenas na fronteira do Amazonas com o Acre, agravando a situação do povo Jaminawá e influenciando no aumento do desmatamento na região. O órgão loteou e incentivou a ocupação de parte da terra indígena Kaiapuká por meio do programa oficial, que conta com apoio do governo alemão pela agência oficial de cooperação, a GIZ, da sigla em alemão para Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit. As informações são parte do relatório ''As contradições da cooperação alemã na Amazônia'', organizado pela Fundação Rosa Luxemburgo em parceria com o Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais.

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Como um índio que protestava por acesso à saúde acabou preso em Santarém?
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Thiago Medaglia

Para defensora pública, prisão efetuada na semana passada está repleta de irregularidades

Texto e foto de Thiago Medaglia

Indígenas pressionam por liberação de Poró Borari na Justiça Federal, em Santarém (PA). Foto: Thiago Medaglia

Indígenas pressionam por liberação de Poró Borari na Justiça Federal, em Santarém (PA). Foto: Thiago Medaglia

Em março de 2015, uma família de indígenas da etnia Kumaruara saiu da aldeia Alto Solimões, região do Tapajós, no Pará, com suspeita de hepatite. Ao final da longa e cansativa viagem de barco, desembarcaram em Santarém à procura de atendimento médico. Combalidas, as 7 crianças da família – todas elas posteriormente diagnosticadas com hepatite A – não tiveram acesso à ambulância para chegar ao Hospital Municipal de Santarém: dependeram, como não é incomum, do apoio de parentes indígenas residentes na área urbana. Após os primeiros procedimentos no hospital público, as crianças foram liberadas para seguir com o tratamento domiciliar, tendo previsão de retorno em uma semana. Doentes e longe de casa, foram encaminhadas para a Casa de Saúde Indígena (Casai), entidade ligada à Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai), órgão do Ministério da Saúde. Mas lá não encontraram apoio algum.

A razão, bem conhecida dos brasileiros, é digna de enlouquecer o mais zen dos pajés: eles não constam no sistema. As únicas etnias que, com terras demarcadas, são atendidas na unidade da Casai de Santarém então procurada são os povos Zo’É e WaiWai.

Naquele março de 2015, as crianças Kumaruara acabaram submetidas a uma epopeia que envolveu a busca por carona em deslocamentos, o abrigo na casa de conhecidos e uma campanha de arrecadação de dinheiro feita pelos alunos indígenas da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) para a compra de medicamentos. “E essa é apenas um história… Na verdade, o surto de hepatite no ano passado atingiu crianças de outras três ou quatro aldeias da região do Tapajós”, explica Luana Kumaruara, moradora de Santarém que acompanhou o caso de perto.

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Matt Hansen: conheça o geógrafo que monitora o desmatamento global
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Professor Matt Hansen:

Professor Matt Hansen, do laboratório GLADS da Universidade de Mayland

por Rollin Hu

Monitorar o estado das florestas do mundo é uma tarefa monumental, com desafios na coleta de dados, sua interpretação e visualização. O projeto Global Forest Change (GFC), desenvolvido pelo professor Matthew Hansen, da Universidade de Maryland, aborda esse problema usando algoritmos para distinguir mudanças na cobertura florestal através de imagens de satélite.

A partir destes dados, o GFC é capaz de exibir as tendências de desmatamento ao longo do tempo. Hansen, um cientista de sensoriamento remoto, com especialização em mapeamento de mudanças no uso do solo, também tem contribuído para outros projetos de vigilância das florestas, como o Global Forest Watch, um monitor online interativo. Para as práticas jornalísticas, em especial o geojornalismo, o trabalho de Hansen fornece mapas altamente detalhados. Esta informação é especialmente importante em lugares onde as florestas estão em risco.

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Nosso impacto na Amazônia é ainda maior do que o imaginado
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Thiago Medaglia

Estudo inédito publicado no principal periódico científico do mundo alerta para os danos causados por atividades humanas em remanescentes florestais

Queimadas para abertura de áreas de pecuária e agricultura

Perturbações humanas, como os incêndios, podem ser tão nocivas quanto o desmatamento (Foto: Flávio Forner/InfoAmazonia)

A partir de hoje, o fato é científico: em se tratando de florestas tropicais, o desmatamento não é o único vilão.

Em todo o mundo, as políticas públicas de conservação de biomas como o amazônico focam no combate ao corte raso, prática que elimina toda vegetação existente em uma área. No entanto, esforços para conservar espécies tropicais não terão sucesso se não levarem em consideração o controle das perturbações mais comuns causadas pelo homem: a exploração madeireira, os incêndios florestais, a fragmentação de áreas remanescentes e a caça. Esta conclusão está em um estudo publicado na última edição do periódico Nature.

O artigo Anthropogenic disturbance can be as important as deforestation in driving tropical biodiversity loss ('Perturbação antropogênica pode ser tão importante quanto o desmatamento na condução de perda de biodiversidade tropical'), mediu o impacto geral das perturbações florestais mais comuns em 1.538 espécies de árvores, 460 de aves e 156 de besouros encontrados no Pará.

Pela primeira vez, pesquisadores de 18 instituições internacionais, dentre as quais 11 brasileiras, foram capazes de comparar a perda de espécies causada por perturbações à floresta com aquelas resultantes da perda de habitat pelo corte raso. Os cientistas demonstraram que, para a floresta tropical, a perda de biodiversidade pode chegar a ser igual nos dois casos, seja degradação ou desmatamento. Desta forma, o trabalho conseguiu definir um parâmetro de avaliação da saúde das florestas tropicais degradadas. É uma boa notícia diante de um cenário ruim.

Fruto da Rede Amazônia Sustentável (RAS), um consórcio de instituições brasileiras e estrangeiras, coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental, Museu Paraense Emílio Goeldi, Universidade de Lancaster e Instituto Ambiental de Estocolmo (Suécia), o estudo ainda demonstra que, em áreas degradas, a perda de biodiversidade na Amazônia paraense é equivalente ao desmatamento de um período de dez anos.

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Amazônia extrema: sem chuva, ribeirinhos são obrigados a se adaptar
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Vivendo às margens do Rio Tapajós, na Amazônia paraense, Maria do Socorro caminha até oito vezes por dia para buscar baldes de água no lago mais próximo da sua casa, mas, com a seca, a água fica tão suja que não serve para o consumo humano. Para beber, tem que ir até a casa de uma vizinha que tem um poço artesiano e pedir água. FLAVIO FORNER/XIBÉ/INFOAMAZONIA

Vivendo às margens do Rio Tapajós, na Amazônia paraense, Maria do Socorro caminha até oito vezes por dia para buscar baldes de água no lago mais próximo da sua casa, mas, com a seca, a água fica tão suja que não serve para o consumo humano. Para beber, tem que ir até a casa de uma vizinha que tem um poço artesiano e pedir água. FLAVIO FORNER/XIBÉ/INFOAMAZONIA

O clima está mudando na Amazônia. Os eventos extremos, de forte seca ou muita chuva, estão cada vez mais agressivos e as populações locais têm sido forçadas a encontrar novos meios de sobreviver com um clima cada vez menos previsível. No meio da Amazônia paraense, os ribeirinhos das margens do Rio Tapajós são alguns dos mais impactados.

A equipe do InfoAmazonia esteve na região no fim de 2015 e ao longo de uma semana visitou comunidades ribeirinhas e sobrevoou a Floresta Nacional do Tapajós. A estiagem naquele momento fora muito além do normal: 120 dias sem uma única gota de chuva na região.

Conheça a plataforma multimídia ''Amazônia Extrema'' 

Edinelson Fonseca, 62 anos, nasceu e foi criado na comunidade do Jamaraquá. Enquanto avista o rio ao longe, sentado na praia, ele conta em tom nostálgico sobre épocas de temperatura mais frescas, árvores frutíferas mais carregadas e os rios mais fartos em peixes.

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O mapa das queimadas em Roraima: número de focos de calor bate recorde
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Foto de morador de Caracaraí enviada ao portal G1 Roraima (crédito: Arquivo Pessoal/G1)

Os moradores do estado de Roraima estão enviando ''pedidos de socorro'' pelas redes sociais diante da grave situação das queimadas no estado. Um morador da cidade de Caracaraí, o município com mais focos de incêndio em todo o país nas últimas 48 horas, postou fotos que mostram o céu tomado de fumaça. Outros, no Facebook, alertaram para as queimadas nas florestas às margens do Rio Jauaperi.

Este mapa do InfoAmazonia, atualizado em tempo real com os dados da NASA, revela a concentração de focos de calor no Estado nas últimas 24 horas.

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Para defenderem seus territórios, indígenas recebem treinamento do Google
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Giovanny Vera

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Índio da etnia Paiter-Suruí em oficina do Google Earth para monitoramento colaborativo e mapeamento cultural. Foto: Israel Vale/Associação Kanindé

A partir desta segunda (07), 30 grupos indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia brasileira serão treinadas pelo Google Earth para usarem imagens de satélite e aplicativos de celular para o mapeamento cultural e o monitoramento de seus territórios na busca de maior proteção contra o avanço de madeireiros e invasores.

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Em Cúpula da ONU, indígenas lançam calendário com ciclos climáticos
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Giovanny Vera

Nesta terça (01 de dezembro) o Instituto Socioambiental (ISA), em parceria com o InfoAmazonia, lançou em Paris, durante a Cúpula das Nacões Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 21, o calendário indígena dos ciclos do rio Tiquié. A obra é resultado de uma pesquisa colaborativa desenvolvida por comunidades e associações indígenas no Alto Rio Negro, noroeste do estado do Amazonas, na fronteira com a Colômbia.

LEGENDA AQUI

Ciclos anuais dos povos indígenas no Rio Tiquié. Clique para entrar no site do calendário

Junto com o ISA, os indígenas do rio Tiquié apresentaram pesquisa inédita que identifica, em sua bacia, os ciclos de pesca, caça, frutificação e cultivos. Os ciclos estão relacionados a outros elementos, como o ciclo hidrológico e às constelações astronômicas. Os dados foram coletados entre os anos 2005 e 2008, com a participação de uma equipe de pesquisadores e agentes comunitários designados por suas comunidades.

A investigação, baseada no conhecimento e cultura indígena, pode indicar processos de mudanças do clima observadas localmente, através dos impactos causados em ecossistemas do rio Tiquié e da região. Um dos objetivos da pesquisa é a conservação da biodiversidade do Alto Rio Negro.

O site pode ser visitado aqui

Mapa das comunidades do rio Tiquié, Amazonas.

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