Blog do InfoAmazonia

Arquivo : julho 2015

Depois do Brasil, Peru lidera desmatamento da Amazônia
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InfoAmazonia

por Stefano Wrobleski

O Peru encerrou 2014 com 112,8 mil hectares a menos de floresta amazônica em relação a 2013. A perda representa 0,15% da cobertura do bioma no país e fez a nação ficar na liderança dos desmatadores entre os oito países que, além do Brasil, dividem a Amazônia. Os dados são do projeto Terra-i, iniciativa de cinco organizações de pequisa que mapeia alterações da cobertura vegetal em tempo “quase real” na América Latina. O desmatamento brasileiro oficial em 2014 foi quatro vezes maior, de 480 mil hectares.

A região mais atingida é Loreto, que fica no nordeste do país e concentrou 49 mil hectares de desmatamento – ou 44% do total no Peru. “Há bastante desmatamento de tamanho industrial para cultivos”, explica Louis Reymondin, analista de dados do Terra-i. Enquanto o norte da região, onde nasce o Rio Amazonas, é dominado pelo plantio de cacau, no sul a devastação é causada principalmente por plantações de dendê.

Fazenda de produção de óleo de palma próximo a Yurimaguas, em Loreto. Foto: Terra-i

Fazenda de produção de óleo de palma próximo a Yurimaguas, em Loreto. Foto: Terra-i


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A ciência engajada na preservação da Amazônia
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Texto originalmente publicado por Vandré Fonseca no OEco

Floresta Estadual de Trombetas faz parte da Calha Norte Paraense. A criação do mosaico de Unidades de Conservação, Quilombos e Terras Indígenas com cerca de 12 milhões de hectares contou com estudos do Imazon. O instituto continua a atuar na região. Foto: David Alves/Arquivo Agência Pará.

Floresta Estadual de Trombetas faz parte da Calha Norte Paraense. A criação do mosaico de Unidades de Conservação, Quilombos e Terras Indígenas com cerca de 12 milhões de hectares contou com estudos do Imazon. O instituto continua a atuar na região. Foto: David Alves/Arquivo Agência Pará.

Manaus, AM — Julho é aniversário do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), uma organização não governamental criada em 1990 para fazer pesquisas que ajudem a proteger a floresta e melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem nela. São vinte e cinco anos, desde os primeiros estudos sobre o manejo florestal de baixo impacto, às contribuições que ajudaram na criação de mais de 20 milhões de hectares de Unidades de Conservação na Amazônia, até a criação de um sistema próprio que monitora o desmatamento na Amazônia.

As conversas e preparativos para a fundação do Imazon começaram em 1988. Era uma época de grande pressão ambiental e social sobre a região, com desmatamento acelerado e poucos estudos sobre as transformações da paisagem. Nesse ambiente de crise, o ecólogo americano Christopher Uhl, então pesquisador visitante da Embrapa, viu uma oportunidade de servir à Amazônia.

A criação contou com a parceria de Adalberto Veríssimo e Paulo Barreto, hoje pesquisadores seniores do Imazon, e David McGrath, que se tornou professor na Universidade Federal do Pará (UFPA) e pesquisador Associado do Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM). Ao longo de duas décadas e meia, segundo o site do instituto, o Imazon publicou 642 trabalhos técnicos, dos quais 193 conquistaram páginas de revistas científicas internacionais. Foram publicados também 71 livros e 26 livretos.

A produtividade e repercussão dos trabalhos do Imazon levaram o instituto a figurar este ano, pela primeira vez, no ranking dos 100 melhores centros de estudos estratégicos independentes sobre economia e política de Mudanças Climáticas do mundo, preparada pelo International Center for Climate Governance (ICCG). O instituto figura na 66a posição na análise per-capita, ou seja, que leva em consideração o número de pesquisadores, e 53a na absoluta.

“Nosso esforço é fazer o homem ver que a floresta traz benefícios com os serviços ecossistêmicos e que, se explorada de forma adequada, ela pode contribuir para ganhos econômicos”, afirma a bióloga Andréia Pinto, diretora executiva do Imazon. “Proteger a floresta sem o homem não vai trazer um futuro sustentável”.

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Tribo amazônica cria enciclopédia de medicina tradicional com 500 páginas
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Texto originalmente publicado por Jeremy Hance no Mongabay

Em uma das grandes tragédias da nossa era, tradições, histórias, culturas e conhecimentos indígenas estão desfalecendo em todo o mundo. Línguas inteiras e mitologias estão desaparecendo e, em alguns casos, até mesmo grupos indígenas inteiros estão em processo de extinção. Isto é o que chama a atenção para uma tribo na Amazônia – o povo Matsés do Brasil e do Peru –, que criou uma enciclopédia de 500 páginas para que sua medicina tradicional seja ainda mais notável. A enciclopédia, compilada por cinco xamãs com a ajuda do grupo de conservação Acaté, detalha cada planta utilizada pelos Matsés como remédio para curar uma enorme variedade de doenças.

O xamã Matsés chamado Cesar. Foto: cortesia da Acaté

O xamã Matsés chamado Cesar. Foto: cortesia da Acaté

“A [Enciclopédia de Medicina Tradicional Matsés] marca a primeira vez que xamãs de uma tribo da Amazônia criaram uma transcrição total e completa de seu conhecimento medicinal, escrito em sua própria língua e com suas palavras”, disse Christopher Herndon, presidente e co-fundador da Acaté, em uma entrevista para o Mongabay (na íntegra abaixo).

Os Matsés imprimiram sua enciclopédia só em sua língua nativa para garantir que o conhecimento medicinal não seja roubado por empresas ou pesquisadores, como já aconteceu no passado. Em vez disso, a enciclopédia pretende ser um guia para a formação de jovens xamãs, para que eles possam obter o conhecimento dos xamãs que viveram antes deles.

“Um dos mais renomados e antigos curandeiros Matsés morreu antes de que seu conhecimento pudesse ser transmitido, então o momento era este. A Acaté e a liderança Matsés decidiram priorizar a enciclopédia antes de perder mais anciãos e seus conhecimentos ancestrais”, disse Herndon.

A Acaté também iniciou um programa para conectar os demais xamãs Matsés com jovens estudantes. Através deste programa de orientação, os indígenas esperam preservar seu modo de vida como o fizeram durante séculos.

“Com o conhecimento de plantas medicinais desaparecendo rapidamente entre a maioria dos grupos indígenas e ninguém para escrevê-los, os verdadeiros perdedores no final são tragicamente os próprios atores indígenas”, disse Herndon. “A metodologia desenvolvida pelos Matsés e pela Acaté pode ser um modelo para outras culturas indígenas protegerem seus conhecimentos ancestrais”.

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Rede InfoAmazonia cria o “Mãe d’Água” para monitorar a qualidade d’água
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Desenvolvido pelo Rede InfoAmazonia. http://infoamazonia.org

Protótipo desenvolvido pelo Rede InfoAmazonia.

O projeto Rede InfoAmazonia está desenvolvendo um hardware aberto de monitoramento de qualidade da água em tempo real, batizado como “Mãe d’Água”, que será instalado em comunidades e cidades ribeirinhas, inicialmente na Amazônia brasileira.

O objetivo do projeto é detectar variações em parâmetros de medição de qualidade da água, que indicam a existência de possíveis contaminantes que estão presentes no esgoto, ou substancias tóxicas industriais e metais pesados que a contaminam. O aparelho, que está na etapa de homologação, será capaz de ajudar a deduzir, com precisão, variáveis físico-químicas que ajudam a distinguir uma água potável da água contaminada.

O dispositivo tem as possibilidades de medir a acidez da água pelo potencial hidrogeniônico (pH), potencial de redução da oxidação (ORP), condutividade elétrica, temperatura da água e pressão barométrica no nível da água, variáveis que auxiliam na inferência da qualidade da água para consumo humano.

“Hardware aberto é um dispositivo eletrônico criado em base à
combinação de componentes básicos e a colaboração e
intercâmbio de conhecimentos”

 

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Pescadores da Amazônia já falam em impactos das alterações climáticas
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Thiago Medaglia

“Em qual universidade você se formou?”. A pergunta era inevitável nas rodas de conversa entre os pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), no Amazonas. Ruiter Braga, 41 anos, nascido à beira do rio, filho de pescador, respondia um tanto sem graça: “Na universidade da prática”. Foi assim durante muito tempo, mas não é mais. Ruiter, agora, é biólogo.

“Falta apenas uma disciplina”, frisa o Técnico no Programa de Manejo de Pesca do IDSM. “As viagens interferiram nos estudos”, ele complementa. Ruiter ainda relata que a busca por uma formação acadêmica veio por incentivo de alguns biólogos do IDSM. “Foi difícil. Eu tinha terminado o ensino médio há 14 anos, mas consegui”, diz o biólogo prestes a ser graduado pela Universidade Estadual do Estado do Amazonas.

Quem já esteve na Amazônia sabe que, aos olhos urbanos, a vastidão de árvores e rios parece muitas vezes homogênea. Por isso mesmo, a leitura do ambiente feita pelos caboclos é impressionante. Capazes de distinguir minúcias imperceptíveis aos visitantes, eles conseguem apontar os pontos em um leito escuro de rio que podem custar ou não a vida do banhista (por causa dos agressivos jacarés-açu); os pescadores, desde sempre, souberam indicar os melhores locais para a pesca e a época adequada para as capturas.

A captura do pirarucu no Médio Solimões foi prejudicada pela irregularidade das chuvas em 2014. Foto: Amanda Lelis / IDSM

Mas agora, diante de um clima cada vez mais irregular, algumas “das previsões baseadas no conhecimento tradicional dos ribeirinhos não são mais confiáveis”, afirma Ruiter. E é justamente por aliar o conhecimento ancestral com a fundamentação científica, que suas falas sobre a floresta devem ser ouvidas. Na entrevista a seguir, Ruiter compartilha percpeções do interior da Amazônia sobre os impactos das alterações climáticas.

É um biólogo dando voz aos pescadores. Ou um pescador compartilhando o drama de seus pares.

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